Há pouco mais de um mês o treinador do Fluminense e da seleção brasileira vivia um grande dilema. O Tricolor jogava mal, não conseguia encaixar uma sequência de vitórias, sofria para se resolver com desfalques importantes. Mas Fernando Diniz, em meio ao maior desafio da carreira, conseguiu superar aquilo que os maiores críticos de seu trabalho consideram inevitável. A queda irrecuperável pós sucesso inicial.
Quantas vezes ouvimos que suas equipes têm prazo de validade? A retomada do Fluminense em 2023 faz cair por terra tal argumentação. São seis vitórias nos últimos nove jogos, classificação com autoridade para as semifinais da Libertadores depois de 15 anos, novas soluções encontradas na equipe.
É verdade que Fernando Diniz já cumpriu a história decantada acima em outros clubes. O São Paulo de 2020 é certamente o maior exemplo. Liderou o Brasileirão por diversas rodadas, jogou o melhor futebol da competição durante dezenas de partidas, mas caiu em meio a problemas de relacionamento e ausência de resoluções táticas. Não foi campeão nacional naquele ano.
Mas é ainda mais verídico que o treinador tem uma forma de trabalhar muito nítida. O Fluminense vem passando por aprimoramentos desde o ano passado. ”Ataca à Diniz”, com liberdade de movimentos e acúmulo de peças no setor da bola. Varia o modelo ofensivo com pontas mais fixos e ”posicionais” pelos flancos. Tem mais compactação defensiva entre os setores.
E o melhor: obtém resultados melhores do que vinha sendo a realidade do clube. Sagrou-se campeão carioca com muita superioridade contra o estrelado Flamengo. Chegou até a semifinal da Copa do Brasil do ano passado. Terminou um Brasileirão em 3º lugar, melhor posição do clube em nove anos. E agora chega a mais uma semifinal continental.
Está claro que o ”treinador das saidinhas curtas” nunca quis colocar o espetáculo à frente do resultado. Apenas acha que chegará ao objetivo jogando de uma forma pouco comum à maioria dos treinadores estabelecidos no mercado brasileiro nas últimas décadas. Entender isso parecia impossível para determinadas pessoas.
A medida que o tempo passa, novas experiências surgem. Vitórias e derrotas vão forjando sua forma de trabalhar. Melhorando as decisões. Normal em qualquer profissão. Fernando Diniz tem 49 anos de idade, há apenas seis temporadas trabalha na Série A do Brasileirão. Vive um período de desenvolvimento enquanto treinador. E movimenta o jogo de uma forma que muitos nomes consagrados não conseguiram com o mesmo tempo de carreira.
O trabalho no Fluminense vem para desmistificar frases feitas em torno da sua figura. Que possamos elevar o nível do debate e buscar entender as intenções por trás de algo que nos é estranho num primeiro olhar.
Fonte: GE GLOBO.

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